Uma história cruel

É bom evitar estes dois.

Austrália mostrou-se prolífica nos últimos anos, relativamente à produção de thrillers; género no que o país oceânico tem desenvolvido uma tradição nada desdenhável desde a época do ozploitation.
A dureza da agreste paisagem antipodana serviu de marco para histórias memoráveis. Por vezes, é esse próprio marco que se erige como antagonista (Long Weekend, Razorback, Rogue). A maior parte das vezes é o contexto no que sobrevivem tipos humanos alienados do progresso económico e em base à crueldade (Night of Fear, Road Games). Killing Ground pertence a este grupo no que tem notáveis precedentes. Hounds of Love, do que já falamos aqui, seria um. Já no terror, The Loved Ones; ou contornando o slasher, o terrível Wolf Creek. E como thriller stricto sensu Crawl; ou os também recomendáveis Mistery Road e Goldstone, protagonizados por Aaron Pedersen, quem encarna um dos antagonistas em Killing Ground.

O lugar da acampada.

Nesta longa-metragem, seguimos à parelha de noivos Sam e Iam (Harriet Dyer e Ian Meadows), quem vão passar uns dias acampados no mato. Na sua chegada, comprovam com desgosto como não vão estar sozinhos: há um veículo estacionado e uma tenda. Misteriosamente, não há rasto dos seus proprietários. O casal começa a ficar desconfortável ainda a ignorar os terríveis acontecimentos que tiveram lugar apenas uns dias antes.

Impacta a crueldade dalgumas cenas.

Esta história simples, poderia ter sido uma versão ozzy de The Last Hause on the Left e ter derivado cara o rape & revenge mais infame. Mas o debute de Damien Power no terreno da longa-metragem foi bastante feliz. Alterna inteligentemente duas linhas temporais, de modo que dosifica a informação com a que vamos cobrando consciência progressiva da ameaça que paira sobre os protagonistas. Opta também, com frequência, por deixar a violência fora do foco ou por jogar com os planos no seu tratamento; o que dota a narração dum suspense especial.

Joga-se com acções em primeiro e segundo plano.

A uma direcção e um guião afortunados, haveria que acrescentar um elenco solvente. Para além dos actores anteriormente mencionados; destacam as interpretações de Aaron Glenane no seu papel de sociopata, ou uma jovem Tiarnie Coupland. Grata surpresa.

  • O melhor: A direcção.
  • O pior: Talvez um maior desenvolvimento da parelha antagonista.

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