Um grupo de charmosos adolescentes vão para um lugar pouco recomendável e são massacrados um a um. Familiar, não é? O slasher acostuma a repetir incansavelmente a fórmula e raras vezes surpreende a plateia.
Se calhar, uma opção seria trabalhar a identificação do público com os protagonistas: atribuir-lhes desejos, esperanças, fraquezas e contradições humanamente reconhecíveis. Porque se no final tudo consiste em inspirar terror, não constitui uma via lógica fazer com que os espectadores se preocupem pela sorte dos nossos heróis? Não supõe no mínimo uma vitória parcial conseguir que desejemos a sua supervivência? É por isso que provavelmente não ajude apresentar uns jovens afectados, superficiais e abertamente classistas, e esperar que não desejemos a sua morte já na segunda frase.
Os personagens que nos mostra Recovery, não são apenas uns betinhos a quem quererias cantar a internacional na cara, ademais são incompreensivelmente estúpidos. Os diálogos acartonados e as decisões carentes de toda lógica, não deixam lugar para dúvidas. Seria inexplicável a sua supervivência durante boa parte dos 82 minutos de filme, a não ser porque os antagonistas não são muito mais brilhantes.
E então, de que vai Recovery? Jessie (Kirby Bliss Blanton) descobre o namorado numa infidelidade o dia da sua graduação. Como desforra, decide ir a uma discoteca com a sua nova amiga Kim (Rachel DiPillo), o seu abobado pretendente Logan (Samuel Larsen) e o seu irmão menor em plena baboseira hormonal, Miles (Alex Shaffer). Após uns breves momentos de amasso e de aproximação às drogas, Kim “desaparece” levando acidentalmente o novo telefone de Jessie. Como fosse que Miles instalou uma aplicação para localizar o telemóvel da irmã, os três encaminham-se até um bairro ameaçante (pobre) onde situam o iPhone perdido numa barraca sinistra do tamanho do palácio de Buckingham. O problema é que os moradores são uma família disfuncional que tem por costume assassinar invasores de domicílio e arranjar namoradas para o deforme benjamim da casa mediante o discutível método do sequestro.
Não se revela nada, não há spoiler. Todo o relatado aparece no trailer e nos quatro primeiros minutos de metragem. O resto são objectos que aparecem e não estavam previamente aí, personagens que desaparecem da trama sem nenhuma explicação, cenas sem propósito narrativo e muitos outros elementos que obrigam a perguntar-se sobre qual foi a atitude com a que se rodou todo isto. Parece que há algum tipo de mensagem sobre o uso das novas tecnologias por parte dos jovens e a pouca estima que sentem pela sua privacidade. Quem se importa? Cedo fica claro que Recovery não é a melhor plataforma para transmitir nada.
Também não seria justo culpar as actuações, porque isso seria supor que os personagens têm algum tipo de matiz que expressar. Simplesmente desfilam por aí, dizem banalidades e morrem. Fixe.
Em companhia de amigos e em contexto festivo, talvez seja possível encontrar algum entretenimento ocasional. Mas Recovery funcionaria melhor com outra direcção, outro guião e outros actores. E se calhar, outra história.
- O melhor: a próxima semana esquecerás que o viste.
- O pior: a sensação de desleixo que transmite todo.


Non mo digas, que inda non a vin. Ao final a loira dos peitos apretados sálvase milagrosamente?
X)
Parece ser que o método funciona, porque levan décadas repetíndoo unha e outra vez. E o que nos queda. En fin…
Mais vale moitas veces voltar a ver por enésima vez A Matanza de Texas ou xa postos a dos Garrulos Lisérxicos.
O mellor da película (sen tela visto) é a crítica que lle fixeche.
Teño como vicio persoal ler críticas boas de filmes pésimos que nunca vou ver. Resulta moito máis enriquecedor e divertido.